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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O Nome de Jesus



O Nome de Jesus (The name of Jesus)
Kenneth E. Hagin
Tradução de Gordon Chown (1988)
Graça Editorial - (144 pág.)

Releitura da releitura....

Há livros assim, que permanecem em nossas vidas e, volta e meia, lemos de novo.

Se estou lendo pela terceira vez, é claro que recomendo.

[terminei em 28/07/2013]

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Sem Sangue

Sem Sangue 
Alessandro Baricco (2002)
trad. Rosa Freire d'Aguiar
Companhia das Letras - 81 pág.

Depois do Seda, fui em busca de outros livros do mesmo autor e logo encontrei esse.

A temática é completamente diferente, a forma mais ainda e, embora não seja tão incrível quanto o Seda, esse também é bom.

Após uma guerra civil, um médico vivia em uma fazenda com seus dois filhos.  Uma noite, chegam vários homens, velhos conhecidos, para acertar contas. 

É violento, as imagens são muito vívidas, parece que o leitor está vendo um filme, mas ainda assim, ou, justamente por isso, recomendo.


"A mulher,  com a colherzinha entre os dedos, olhava para a sobremesa no prato como se estivesse procurando a fechadura."

" - Não é a minha história, é a sua. A senhora a conhece melhor do que eu.
- Ninguém garante."
[terminei em 16/12/2012]


[terminei em ??/03/2013]

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Seda

Seda
Alessandro Baricco (1996)
trad. Léo Schlafman
Companhia das Letras - 121 pág.

Lindo livro.

A história em si é interessante, já seria suficiente para que o livro fosse muito bom, mas não é o ponto mais forte.

Nesse livro, o que salta aos olhos é a redação. A forma em que as palavras se juntam e chegam a nós é o que realmente importa.

É como se uma pessoa tivesse uma pedra preciosa e a colocasse no meio de uma jóia refinada, lindamente trabalhada.  A pedra já é bonita, mas naquele engaste trabalhado fica esplendorosa.


Alessandro Baricco é italiano, mas o personagem principal, Hervé Joncour,  é francês e mora em uma pequena cidade francesa quando não está viajando para comprar ovos de bicho da seda.

Depois de uma praga, ele tem que ir mais longe, em busca de ovos não contaminados, e chega ao Japão...
 
A história foi filmada, com Keira Knightley e Alfred Molina, mas o filme não chega nem perto do livro, justamente porque se utiliza somente da história.  Perde a forma.

Alguns trechos do livro:

"Hara Kei escutava, sem que nenhuma sombra de expressão alterasse os traços de seu rosto. Mantinha os olhos fixos nos lábios de Hervé Joncour, como se fossem as últimas linhas de uma carta de adeus."

"A menina continuava a fitá-lo, com uma violência que arrancava de cada palavra dele a obrigação de soar inesquecível."

"A última coisa que viu, antes de sair, foram os olhos dela, fixos no seu, perfeitamente mudos."

"Mme Blanche não se moveu nem um milímetro. Tinha os lábios entreabertos, pareciam a pré-história 
de um sorriso."

Super recomendado!

[terminei em 01/12/2012] 

sábado, 18 de maio de 2013

Persuasão

Persuasão (Persuasion)
Jane Austen (1816)
L&PM (253 pág.)

Romance.

Meu terceiro livro de Jane Austen.
Tem vezes, quando a gente gosta muito de um autor, que dá uma gana de ler um livro depois do outro, sem parar.

É o caso da Jane Austen. A minha vontade é essa, mas sabendo que ela escreveu apenas 6 romances e outras poucas obras menores, me contenho para ler aos pouquinhos, para prolongar o prazer.

Então esse foi o terceiro, e tão bom quanto os anteriores.

Anne Elliot, a protagonista, com 27 anos, vive com seu pai e a irmã mais velha, ambos fascinados pela condição de nobreza que possuíam e, especialmente o pai, pela própria aparência.  Ela tem, ainda, uma irmã mais nova, casada.  Só que o pai e a irmã mais velha gastam mais do que podem e eles são obrigados a alugar a propriedade da família e se mudar para outro local.

Quem a aluga é um casal, ele almirante e ela, irmã de dois homens que já viveram na região, sendo que um deles, Frederick Wentworth, capitão da marinha, 8 anos antes, havia pedido Anne em casamento e fora rejeitado por ela, convencida por sua família e, em particular, por sua madrinha, que não poderia se casar com um homem sem posses e, ainda, à beira de uma guerra.

Manuscrito de Persuasão - cap. 24
Os anos passaram, a guerra acabou, agora ele tem dinheiro, ela está mais velha e abatida pela tristeza de se ter deixado persuadir pelos outros, e o encontro se vislumbra inevitável em decorrência da mudança...

Este foi o último livro finalizado pela autora, embora só tenha sido publicado (1818) após sua morte, com o título dado pelo irmão dela. Veja, ao lado, imagem da primeira página do último capítulo do manuscrito original.



Dizem que ela teria levado para a ficção (e resolvido) uma história vivida por ela, aos 20 anos, com um jovem chamado Thomas Lefrkoy que, na época, não tinha meios para se casar, o que motivou o rompimento.  Ela nunca se casou.

Jane Austen trabalha com sentimentos.
Enquanto em Orgulho e Preconceito ela trabalha, obviamente, com os efeitos que os preconceitos e o orgulho produzem sobre as pessoas e as decisões que elas têm que tomar; em Northanger Abbey, ela mostra os perigos da imaginação sobre a capacidade de avaliação dos jovens; neste, ela confronta a impetuosidade com a prudência e a possibilidade de uma jovem se deixar persuadir pela opinião dos outros.

E a carta do Wentworth é um deleite: "... You pierce my soul. I am half agony, half hope..." infelizmente perdeu um pouco da força com a tradução "... Meu coração está dilacerado. Estou em estado de semiagonia, semiesperança...".


Persuasão - 2007
Há um filme, de 1995, que não consegui ver, e um outro, feito em 2007 para a TV inglesa que está disponível, na íntegra e com legendas no Youtube.

O ator que fez o Wentworth (foto) foi muito bem escolhido, tem o porte necessário para o papel, a atriz que fez a Anne nem tanto, mas o filme tem vários defeitos, sendo que o pior foi terem mudado a estória.
E eu pergunto: por quê?
Meu Deus, o que faz um roteirista mudar uma estória dessas?  E, principalmente, o desfecho?

Ou seja, somente veja o filme se tiver lido o livro.

Eu gostei muito do livro, é claro que recomendo.

Muito bem, o objetivo de maio do Desafio Literário era um livro que tivesse sido citado em um filme.

Várias das opções não serviam para mim, porque já as tinha lido... Por outro lado, também queria que fosse um filme que eu achasse legal.


Aí lembrei de "O Clube de Leitura de Jane Austen", que cita os 6 romances e eu catei o livro da estante...
Só que não me lembrava mais do filme...
Voltei a ver, agora, e não achei mais tão bom assim.

No entanto, soube que o livro também tinha sido citado em outro filme "A Casa do Lago".
Peguei correndo, e tive uma grata surpresa.
Além de citar o livro, o filme tem uma suave inspiração na história da Jane Austen, misturada com um tanto de Ficção Científica. 

Não é tão bom quanto o livro, mas também recomendo.




[terminei em 18/04/2013]

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Moulage

Moulage - Arte e Técnica no design de moda
Annette Duburg e Rixt van der Tol (2012) 
Trad. Bruna Pacheco
Bookman (247 pág.)

Livro técnico de moda e costura.

Ótimo livro.  Mas ótimo mesmo!

Objetivo, completo, direto, faz a gente querer largar tudo, pegar vários tecidos e começar a seguir as instruções.

Para quem não sabe, Moulage é a técnica de criar roupas diretamente no manequim.

Em inglês se chama Draping e, como não há nome em português para essa técnica, a editora deixou o nome francês como título que, vamos e venhamos, é muito mais agradável para os nossos ouvidos.

Bem, vamos ao conteúdo:   Os autores mostram, passo a passo, como fazer blusas, saias, calças, mangas, golas.... bolsos, franzidos, pregas...

E, como se não bastasse, ainda montam vários modelos consagrados da costura mundial,  de  1892 a nossos dias.  É um deleite.

Recentemente li outros dois livros sobre esta técnica que realmente foram um desapontamento.

Graças a Deus esse foi o primeiro, senão, teria me desinteressado completamente do assunto.


Parece que essa edição já se esgotou, mas a simpatia da Mariana Belloli Cunha, da editora, fez o favor de me avisar que eles estão preparando nova edição, para já.

Quando sair, comprem imediatamente.

O livro vale cada centavo.

[terminei em 19/10/2012]

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Sem dramas, Jeeves

Sem dramas, Jeeves  (Stiff Upper Lip, Jeeves)
P. G. Wodehouse (1963)
Editora Globo (220 pág.)

Continuação de "O Código dos Woosters" (The Code of Woosters) que, por sua vez, continuava o "Então tá Jeeves" (Right Ho, Jeeves).

Bertie se vê obrigado a voltar à casa do Juiz, Sir Watkyn Basset, para tentar resolver as coisas entre seu amigo Gussie e a noiva Madeline, de medo que esta, ao romper o namoro, pretenda se casar com ele, Bertram Wooster.

Como se não bastasse um problema para resolver, também tem o caso da estatueta africana que o juiz acabou de comprar e também era cobiçada pelo tio do Bertie. 

Finalmente, ele também resolve se meter nas questões da Stiffy, prima da Madeline que está para se casar com Pinker, também amigo do Bertram.

Ele, é claro, não consegue resolver nada e se enrola totalmente, indo parar na cadeia.

Mas Jeeves resolve tudo.  Sem dramas.

Para quem já leu os outros, as piadas acabam sendo um pouco repetidas e as gargalhadas se transformam em sorrisos.
Mas, por outro lado, que alegria e sensação familiar em reencontrar personagens tão queridos...  A gente acaba o livro desejando que ele tivesse o dobro de páginas!

Ah, e com esse, cumpri a meta de fevereiro do Desafio Literário.


[terminei em 01/02/2013]

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O Jardim das Cerejeiras e Tio Vânia

O Jardim das Cerejeiras seguido de Tio Vânia
Anton Tchékhov (1904 e 1900)
trad. Millôr Fernandes
L&PM (148 pág.)

Teatro.

Este livro reuniu duas das peças mais famosas do escritor russo Tchékhov.

O Jardim das Cerejeiras mostra uma família que, originalmente teve posses e dominou uma região e que, no momento da peça, está em total decadência, com muitas dívidas.

Os mais velhos são dois irmãos, uma mulher, que vinha sendo explorada pelo novo companheiro, e seu irmão, que não faz nada além de jogar sinuca.

Eles voltam à velha casa da família, onde passaram uma infância feliz, e lá,  têm de enfrentar a questão das dívidas, já que a casa e o terreno, onde se encontra um lindo jardim de cerejeiras, estão ameaçados de ir a leilão.

Só que eles continuam em seus péssimos hábitos, se recusando a trabalhar e gastando de forma insensata...

Tchékhov faz um lindo retrato da Rússia em que vivia.
Ele coloca em xeque tudo e mais um pouco,  os hábitos perdulários da classe dominante, a questão dos escravos e a forma pela qual a escravidão foi abolida, a forma insensata e egoísta da nova classe que está assumindo o poder, dos novos ricos que, apesar de terem dinheiro, não têm sensibilidade para outras questões, e tudo isso circula em torno de um símbolo da própria Rússia: o jardim das cerejeiras que, embora lindo, praticamente não produz mais frutos.

É sua última peça, Tchékhov morre meses após, e ele se reflete no empregado que, esquecido por todos, depois de trabalhar toda uma vida em prol dos outros, se deita e morre, sozinho.

Já em Tio Vânia, o autor mostra como a classe intelectual se tornou inútil, já que não produz  mais nada, rodando em torno de seu próprio umbigo, com textos e críticas que não dizem coisa alguma, e como ela suga e explora os trabalhadores, que vivem de forma sofrida somente para sustentá-los, como o que dá nome à peça, o Tio Vânia.

Tchékhov escreve bem e é muito sensível e faz com que o espectador ou, no caso, o leitor, olhe em volta e, para si mesmo, com um olhar mais crítico.
 
Recomendado.

Ah, e a capa desta edição é linda! Foi uma escolha perfeita para as obras. 
[terminei em 02/01/2013]

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A Abadia de Northanger

A Abadia de Northanger (Northanger Abbey)
Jane Austen (1818)
L&PM (268 pág.)

Romance, com um leve toque de humor.

Uma jovem, Catherine Morland, vai com uns vizinhos passar uma temporada em Bath, uma cidade de veraneio e, lá conhece muitas pessoas.

Uma delas, Isabella Thorpe, a namorada de seu irmão, a apresenta aos romances góticos, muito em moda na época de Jane Austen, em que as heroínas passam por castelos, abadias, sempre vivendo dramas envolvendo suspenses e terrores.  Conseqüentemente, conhece também John Thorpe, irmão de Isabella, que passa a cortejá-la, embora de uma forma um tanto narcisística, ou seja, apregoando, o tempo todo de suas posses e de suas qualidades pessoais.

Por outro lado, ela também estabelece amizade com os irmãos Eleanor e Henry Tilney.
Catherine fica, assim, dividida entre os dois grupos, até que os Tilney a convidam para passar uns dias em sua casa: "A Abadia de Northanger".

Catherine, se imaginando já em um dos cenários das histórias dos livros que vinha lendo, aceita de plano...

Não conto mais, para não estragar a história.


Apesar de só ter sido editado após a morte de Jane Austen, parece que este livro foi o primeiro a ser escrito por ela.

Como em Orgulho e Preconceito, a autora desenvolve a narrativa sobre os perigos de se julgar as pessoas pela aparência, tendo em vista a dificuldade de se conhecer, realmente, as pessoas,  e as conseqüências que os enganos de julgamento podem ter nas relações humanas.

Ao mesmo tempo, é um livro sobre livros, sobre a influência que os livros podem exercer sobre a imaginação dos jovens e, por extensão, dos leitores em geral.

Gostei muito e  recomendo.

Aliás, a edição da L&PM, com essa capa linda, é um deleite adicional.

Há um filme, inspirado no livro, que é bem fiel à trama, embora perca bastante do movimento, dos sentimentos. Afinal, para sintetizar toda uma história em apenas duas horas,  é preciso deixar muitas coisas de lado.

Eu imaginava os personagens de forma diferente dos atores escolhidos, mas o elenco está todo muito bem.
O filme está disponível no YouTube, em 7 capítulos.  As legendas têm pequenos problemas, de tradução e de português, mas são poucos.  Realmente vale a pena.

Eis a primeira parte:



[terminei em 13/10/2012]

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Admirável Crichton


The Admirable Crichton
J. M. Barrie (1902)
ebook (96 pág.)

Teatro.

Mais de uma vez, meu marido comentou comigo sobre um filme que ele viu há muito tempo atrás, sobre uma família com um mordomo que naufraga e vai parar em uma ilha. 

Lá, a relação entre eles, obrigatoriamente, muda, já que a família inglesa, do início do século XX, não sabia fazer nada, mas o mordomo e a criada sabiam...  em particular, o mordomo.

Encasquei com a coisa e, afinal, a internet serve para isso, não é?  Descobri o autor, o escritor Sir. James Mathew Barrie, o mesmo que escreveu Peter Pan.

E encontrar o livro?   Em português, se houve uma edição, já se esgotou há tempos...  Nem no sebo achei.

Tentei comprar uma versão em francês... também nada.  A única livraria que tinha o livro disponível não envia para o Brasil!!!!

Só que o texto, de autor morto em 1937, já está em domínio público desde 2007, motivo porque o encontrei disponível e de graça, no projeto Gutenberg (http://www.gutenberg.org/ebooks/3490), em inglês...

Eu não sou fluente em inglês, pelo menos não da mesma forma como leio em francês, mas me enchi de coragem e fui lá.


O texto é abordável e, com um dicionário aberto em outra janela, foi fácil.


E a história é ótima, muito boa mesmo.  Uma séria crítica à forma pela qual as convenções sociais menosprezam os verdadeiros dons em detrimento das posses. 
 
Imperdível! Amei!

Recomendo, e muito!


[terminei em 22/04/2012]

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Um gato indiscreto e outros contos

Um gato indiscreto e outros contos
Saki (Hector Hugh Munro) (+/- 1904/1916)
tradução de Francisco Araújo da Costa (2009)
Hedra (141 pág.)

Contos.

Saki é o pseudônimo de Hector Hugh Munro, escritor inglês que viveu entre 1870 e 1916.

Tendo perdido sua mãe quando ainda muito pequeno, foi criado por tias rígidas na Inglaterra.
Se tornou policial, foi aposentado após ter pego malária em Burma, então parte do império britânico, o que o fez voltar à Inglaterra, onde passou a escrever como jornalista.

Sua obra, na maior parte de histórias curtas, foi orinalmente publicada em jornais e, após, reunida para publicação.

Seus contos são bem, mas bem curtos mesmo, e, ao mesmo tempo, extremamente críticos e ácidos.

Vamos a eles:

Um gato indiscreto - o melhor conto da coletânea, disparado, motivo porque emprestou o nome ao livro.  Em uma casa de campo, Lady Blemley reúne seus hóspedes para o chá.  Entre eles, um cientista que afirma poder fazer os animais falarem.  Todos acham graça, mas ele afirma ter tido sucesso com Tobermory, o gato da casa.  O dono vai chamá-lo para ver se é verdade....

Reginald / Reginald no teatro / Reginald e as preocupações -  Reginald é um "dandy" crítico, muito crítico.  Três contos em que ele expõe suas "qualidades" em um jantar, em uma noite no teatro e em conversa com uma tia.

O sanjaque perdido - Um capelão vai ouvir a confissão de um condenado à morte. E ele explica porque vai morrer: Ele trocara de roupa com um homem no caminho... e depois não soube se defender por ignorância.

O camundongo - Jovem muito educado e formal sofre durante viagem de trem em que, compartilhando um vagão com uma mulher desconhecida, percebe que um camundongo entrou pelas pernas de sua calça.

O estrategista - Jovem encontra grupo de inimigos em festa e precisa se livrar das possíveis agressões.  E ele se sai bem, com muita imaginação.

Gabriel-Ernest - História de lobisomem.

Esmé - Duas amigas se perdem durante uma caçada. No meio do bosque, encontram uma hiena que pertencia a um lorde conhecido que gostava de criar animais exóticos e que se perdera. A hiena resolve acompanhá-las.

O tigre de Mrs. Packletide - A sra. Packletide tinha o sonho de caçar um tigre e resolve ir à África.

A tela - Homem viaja para receber uma herança e resolve fazer uma tatuagem nas costas. O artista morre logo após, antes de ser pago. Ele procura a viúva mas já não possui o valor combinado. Aí começa a confusão.

A cura do desassossego - Homem escuta conversa em um trem na qual um homem afirma estar vivendo uma monotonia, precisando de "uma cura do desassossego".  E o desconhecido resolve presenteá-lo com a tal "cura".

Sredni Vashtar - Menino é criado por tia muito dura.  Tentando arrumar alguma diversão, passa a criar um furão em um galpão no fundo do quintal. O nome do conto é o nome do furão.

Filboid Studge - Homem pobre quer se casar com a filha de um empresário, só que ele não sabe que o empresário está á beira da falência, o que faz com que ele concorde com o casamento, de imediato.  O rapaz fica tão contente que afirma querer retribuir o favor.

A loba - Homem, após breve viagem pelo oriente da Rússia, se arvora em grande conhecedor de ciências ocultas.  Só que ele cruza o caminho de Clóvis que resolve desmascará-lo.

A janela aberta - Homem com problemas nervosos recebe a sugestão de fazer visitas a desconhecidos.  Em uma ocasião, enquanto espera pela dona da casa, conversa com uma menina que tem um grande talento para inventar histórias.

O método Schartz-Metterklume - Lady Carlotta perde o trem que ia pegar. É, então, confundida com uma mulher que esperava a nova governanta. Tendo que esperar pelo trem do dia seguinte, ela finge ser realmente a governanta e passa a "educar" as crianças. 

A omelete bizantina - No dia de um jantar importante, os empregados resolvem fazer greve.

O contador de histórias - Homem em um trem tem que dividir o vagão com uma tia rígida e seus três sobrinhos pequenos que, obviamente, não param quietos.  O homem resolve, então, contar histórias.

Os intrusos - Dois vizinhos inimigos caçam um ao outro em bosque motivo de disputa.


Eu gostei.  Gosto do humor inglês ácido.  E esses contos são tão curtinhos que sempre deixam um gostinho de quero mais.
Recomendo.

[terminei em 23/10/2011]

domingo, 24 de julho de 2011

Cyrano de Bergerac

Cyrano de Bergerac
Édmond Rostand (1897)
ebook (191 pág.)

Peça de Teatro.

Mosqueteiro hábil com a palavra e com a espada, arruma inimigos com a primeira e deles se vinga com a segunda.






A peça começa com uma grande exibição de seus talentos, em um teatro onde se encontrava a sua linda prima, Roxane, por quem é apaixonado sem jamais ter tido coragem de se revelar, por se achar muito feio, dono de um nariz enorme.

No dia seguinte, recebe um recado dela, marcando um encontro.
Cheio de esperanças, escreve uma carta que pretende entregar a ela durante a conversa, onde exibe todos os seus sentimentos.


Só que, antes que ele possa entregar a carta, ela começa a falar.

E conta que, na véspera, viu um belo jovem no teatro, por quem se apaixonou.

E, sabendo que ele é cadete na companhia de Cyrano, pede para que este o proteja, já que era hábito submeter os novos recrutas a provas de força e coragem (hábito que se mantém até hoje, com o nome de trote).
Pede, ainda, que lhe diga para escrever a ela.

Encontrando com o jovem, Christian, fica sabendo que este também está apaixonado por ela, mas não possui qualquer habilidade com as palavras.  Cyrano, então, dá a ele a carta que tinha preparada em seu bolso.

Não conto mais para não estragar a história para quem não a conhece ainda.

O Cyrano real, que inspirou o personagem



É uma obra incrível, escrita integralmente na forma rimada, criando uma história fictícia sobre um personagem real, que viveu entre 1619-1655, na cidade francesa de Bergerac.







Duas cenas ficaram antológicas e vêm sendo repetidas à exaustão:

a das variadas descrições sobre o nariz, muito engraçada;


e a do balcão em que, à semelhança de Julieta,  Roxane tem a seus pés, não um, mas dois apaixonados, um belo e o outro sensível, o primeiro que aparece e o segundo que fala em seu lugar, como um ventríloquo.

Édmond Rostand, tendo caracterizado Cyrano como um exímio espadachim, homenageia três outros famosos personagens da literatura: Scaramouche, que é citado durante o duelo, D'Artagnan que, mosqueteiro como Cyrano, aparece para o cumprimentar, ao fim do embate e Dom Quixote, a quem Cyrano é comparado, por se bater contra tudo e contra todos.


A peça foi transformada em filme várias vezes, sendo a minha versão favorita a de 1990, com Gerard Depardieu, que ficou perfeito no papel título.

Eu já conhecia a história, mas mesmo assim, tive muito prazer na leitura que, inclusive, ficou complicada em determinado ponto pelas lágrimas que me atrapalharam a visão...


Para que vocês tenham um gostinho,  separei um pequeno trecho (que eu traduzi, livremente), no qual Cyrano define um beijo e que eu achei lindo:

Um beijo, afinal de contas, o que é?
Um juramento feito mais de perto,
uma promessa mais precisa,
uma confissão que se quer confirmar,
um ponto rosa que se põe sobre o "i" do verbo amar (em Francês tem i: aimer).
É um segredo que toma a boca por orelha,
um instante de infinito que faz um som de abelha
uma comunicação tendo um gosto de flor,
uma forma de se aspirar um pouco o coração,
 e de se provar, no toque dos lábios, a alma!


Recomendado, claro.

[terminei em 13/07/2011]

sábado, 16 de julho de 2011

Os Três Mosqueteiros

Les Trois Mosquetaires
Alexandre Dumas (1844)
ebook (638 pág.)

Aventura.

Obra clássica, que misturou fatos históricos e personagens reais a intriga fictícia.

O rei Luis XIII, por ser jovem, dependia, mesmo a contra gosto, das orientações do Cardeal Richelieu que exercia o governo, embora não fosse rei.

Havia 3 tipos de guardas. Os do Cardeal, a guarda real e os Mosqueteiros do Rei.

Os mosqueteiros não se davam com os guardas do Cardeal e viviam duelando, apesar de os duelos serem proibidos.

Neste contexto, um jovem gascão parte para Paris com o sonho de se tornar mosqueteiro:  D'Artagnan. 

Já no caminho, ele começa a se meter em confusões e as aventuras vão se seguindo, até o fim do livro.

Em Paris, ele conhece Athos, Porthos e Aramis, três mosqueteiros que iriam se tornar seus mais fiéis amigos.

A história foi inicialmente publicada como novela em um jornal, e iria se chamar Athos, Porthos e Aramis. Foi o editor que sugeriu o nome que Dumas adotou, percebendo que o contraste do título com os 4 amigos contribuiria para o sucesso da trama.



O sucesso veio, e rendeu duas continuações: Vinte Anos Depois e O Visconde de Bragelone. Desse último romance, saiu a história do Homem da Máscara de Ferro.

A obra é repetidamente publicada, em sabe-se lá quantas línguas, e já gerou várias adaptações para o cinema, além de ter influenciado muitas outras obras.


Há um tempo atrás, tinha começado a lê-lo em português, mas não fui muito longe. Agora, em francês, vi que o texto é leve, nada a ver com a tradução que eu tinha, super pesada...

Se eu tivesse que escolher um só livro do autor, escolheria "O Conde de Monte-Cristo" que consegue ainda ser melhor do que esse, mas Graças a Deus ninguém precisa escolher e pode ler os dois, ambos ótimos e super recomendados.


[terminei em 06/07/2011]

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O Cavaleiro da Dinamarca

O Cavaleiro da Dinamarca
Sophia de Mello Breyner Andresen (1964)
Figueirinhas (58 pág.)

Infantil.

Excelente conto que, embora dirigido às crianças, respeita a inteligência delas.

Ora, criança é somente um ser humano jovem, possui plena capacidade de sentir e raciocinar, além de uma memória limpa e capaz de guardar grandes quantidades de informações, mas, infelizmente, muitos escritores usam um linguajar pobre e apresentam tramas simplórias.

Não é o caso deste livro.

Um cavaleiro, na época dos descobrimentos e grandes navegações (séc. XIV e XV), passando o Natal com sua família, no meio de uma floresta na Dinamarca, comunica a todos que partirá em uma viagem à Terra Santa.
Todos ficam tristes, mas ele promete que, no segundo Natal a contar daquele, estará de volta, para comemorar com eles.
Ele vai e encontra pessoas, conhece lugares diferentes, ouve histórias... e tudo vai sendo contado no livro, inclusive sua grande aventura tentando voltar para casa.  
 
A edição é portuguesa, mas encontrei na Livraria Cultura (olá pessoal da Cultura... vocês acabam de ganhar uma propaganda gratuita...).


[terminei em 09/06/2011]

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A Felicidade não se compra

A Felicidade não se compra (It's a wonderful life)
Dir. Frank Capra  (1946)
James Stewart, Donna Reed e Lionel Barrymore

Recentemente falava com uma colega de trabalho sobre "sei lá o quê" e usei esse filme como exemplo, assumindo que ela já o havia visto.
De fato é um filme super conhecido, daqueles clássicos que não são considerados pela crítica, mas se fazem eternos pela repetição de exibições, como a "Noviça Rebelde" que quase todo mundo já viu trilhões de vezes.

Surpresa!
Ela não o havia visto ainda!   Como não?

Então eu pensei que pode ser que outras pessoas também não o conheçam e corri para escrever esse post.

Bem, aviso logo que o filme é em preto-e-branco. (O que, para mim, só acrescenta em charme... mas algumas pessoas têm preconceito, fazer o quê?)

Mas, vamos lá:

George Bailey, um jovem cheio de sonhos grandiosos, de viagens, aventuras e grandes realizações,  passa a vida renunciando a eles em benefício de outras pessoas.

Em determinado momento, sua vida parece ser um total fracasso e ele deseja se matar ou, melhor, nunca ter nascido...

E esse segundo desejo é realizado. Ele tem a possibilidade de ver como seria o mundo se ele não houvesse existido.

Bom?  Bom demais!  Corra para ver.

Tem um misticismo baseado em uma crença norte-americana de que as pessoas quando morrem viram anjos,  mas a gente finge que não viu....


James Stewart, como sempre, é meio exagerado na atuação, mas seu inquestionável carisma marca o filme do início ao fim.


Donna Reed, linda de morrer, transborda beleza e talento na tela (em seu primeiro filme!), e Lionel Barrymore é o vilão perfeito.


Parece que era o filme favorito do Capra e, segundo James Stewart, o melhor papel de sua vida.
Não ganhou o Oscar...

[assisti ..... muitas vezes]

terça-feira, 12 de abril de 2011

O Mapa do Tempo

O Mapa do Tempo
Félix J. Palma (2008)
Intrínseca (470 pág.)

Nunca tinha ouvido falar do autor, mas vi um comentário em um blog (perdoe-me, mas não sei mais qual) que me despertou o interesse e comprei o livro.
Grata surpresa.

É um livro chiclete.  Você gruda nele e não larga até o final...

O autor junta todas as histórias sobre viagem no tempo e faz um tecido único. 
H.G.Wells, mais que inspiração, se transforma em personagem, elo de ligação entre as diversas narrativas e, até mesmo, fio condutor da história.

Palma trata da viagem no tempo pela ciência, pela magia, pela mutação genética e, especialmente, pela imaginação.

Durante a narrativa, cita diversos escritores, livros e contos.
Entre eles, uma curiosidade: Luciano de Samósata, escritor nascido no ano 135 (é isso mesmo, sem o milhar) que escreveu uma história sobre a viagem à lua.

Muitas dessas obras, inclusive, geraram  inúmeros filmes de ficção.
Durante a leitura, lembrei de "Cyrano de Bergerac", "De volta para o Futuro", "Em algum lugar do passado",  "Eu Robô", "O Show de Truman - o show da vida",  "Memória Curta", "As minas do Rei Salomão", "Duna" e, até, "X-Men".

É divertido e, ao mesmo tempo, trata de um dos grandes problemas do ser humano, a necessidade de fazer escolhas e de conviver com as dúvidas: Quais serão as conseqüências da opção que escolhi?  e Quais seriam as conseqüências das outras opções, das que não segui?


"... o medo da morte..., sempre nasce da certeza de saber que o universo não morrerá conosco, mas seguirá o seu curso, como o cachorro continua vivendo depois da retirada do carrapato."

A capa da edição brasileira é a mais bonita, mas infelizmente não descobri de quem é o desenho a bico de pena... quem souber, por favor, me conte.

A tradução, de Paulina Wacht e Ari Roitman, é fluida bem agradável.

Como o autor diz, a viagem no tempo existe, sim:
para o passado a gente vai com a memória, e, para o futuro, com a imaginação...

Super recomendado.
[terminei em 25/03/2011]