quarta-feira, 24 de julho de 2013

A Ratoeira e outras peças

A Ratoeira e outras peças
Agatha Christie (1954, 1945, 1944 e 1952)
Nova Fronteira - 394 pág.

Teatro. Policial.

Coletânea de 4 peças da autora.
Eu, particularmente, não me empolguei com nenhuma, mas servem como passatempo.

A Ratoeira (The Mousetrap) é a peça recordista em montagens, sendo que há, em Londres, um teatro que só a representa, mudando os atores a cada ano. 
Um casal resolve transformar a casa em uma pousada e recebe os primeiros quatro hóspedes.  Só que há uma nevasca e todos ficam presos ali. No rádio, as notícias sobre um assassino que teria se escondido na região...

Os Dez Indiozinhos ou "E não sobrou nenhum" -  Novamente os personagens ficam presos em um lugar... agora em uma ilha.  Várias pessoas recebem um convite de passar um fim de semana na ilha. Chegam todos mas os anfitriões não estão... Mortes começam a ocorrer, seguindo um poema pendurado na parede, ao mesmo tempo em que pequenas estatuetas somem.

Encontro com a morte - Esta peça é a transformação de um conto escrito em 1938 do qual participava o detetive Poirot.  Para a peça, escrita em 1944, a autora retirou o detetive e modificou o crime.
A peça se passa em Jerusalém.  Mrs Boyton, uma senhora rica que trata toda a família com tirania, morre. Todos têm motivos, mas quem a matou? 
Agora fiquei na curiosidade para ler o conto...

O Refúgio (The Hollow) -   Um homem casado com uma mulher inexpressiva, reencontra uma antiga paixão, agora atriz de cinema.  Ele morre.  Já se passaram muitos meses desde que eu li a peça ... e eu não me lembro mais quase nada...

 [terminei em 11/11/2012]


domingo, 21 de julho de 2013

O Poder do Hábito

O Poder do Hábito
Charles Duhigg (2012)
Objetiva - 298 pág.

Neurociência para leigos.

Surpreendentemente, o autor não é um cientista, mas um jornalista do New York Times que, durante a Guerra do Iraque, teve contato com um treinamento que era dado aos soldados com o intuito de transformar os comandos em rotinas naturais, ou seja, hábitos.

Conseqüentemente, por ser escrito por um jornalista, o texto é acessível, fluido, agradável mesmo, e é dividido em três partes:

1- Como os hábitos surgem, como formar novos hábitos e mudar os antigos.

2 - Os hábitos de empresas (é, empresas têm hábitos..)

3 - Os hábitos de sociedades.

Tudo vem acompanhado de exemplos, alguns  curiosos, outros (a maior parte) dramáticos.

Sem querer estragar a surpresa do livro (quem já passou por aqui sabe que evito sempre contar qualquer coisa que atrapalhe a leitura alheia...), os cientistas perceberam que os nossos cérebros separam as atividades por áreas.
A partes mais externas se ocupam dos pensamentos mais complexos.  As novidades, as descobertas, as coisas recentemente apreendidas provocam atividade dessas áreas mais externas.

Em contrapartida, quanto mais automática e básica a atividade, a atividade cerebral diminui e se localiza mais na parte interna.  Respirar, engolir, reações instintivas de proteção... estão lá, nos gânglios basais.

Assim, um comportamento, feito pela primeira vez, vai causar muita atividade cerebral.
Só que o cérebro é um órgão complexo e nosso corpo faz o possível para economizar energia, daí que, a cada repetição de uma atividade, ela vai sendo codificada de forma a diminuir o trabalho cerebral, até que fique automatizada: O hábito.

Segundo o autor, o hábito se compõe de três estágios: a deixa, a rotina e a recompensa.
Para mudá-lo, em primeiro lugar, deve-se analisar qual condição (normalmente uma emoção) o provoca, ou seja é a deixa para aquele comportamento.
A partir desse conhecimento, a pessoa deve procurar modificar a parte do hábito que está incomodando, achando um substituto para a recompensa ou para a rotina....

O autor também revela como empresas utilizam esse mecanismo do hábito para criar hábitos nos consumidores e fazer com que deixas simples levem as pessoas a usar seus produtos.

Leia o livro. São 298 páginas que eu não teria como resumir tanto para que você entendesse tudo aqui.

Para mim, só falta colocá-lo em prática para mudar vários hábitos que me incomodam....



[terminei em 11/11/2012] 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Lady Almina e a verdadeira Downton Abbey

Lady Almina e a verdadeira Downton Abbey
Condessa de Carnarvon (Lady Fiona Carnarvon) (2011)
Intrínseca (233 pág.)

O dono da vídeo-locadora do meu bairro me indicou a série Downton Abbey.  O primeiro capítulo não me animou muito, mas insisti e acabei fã.

Já assisti as 2 primeiras temporadas e já estou na fila para ver a 3ª, assim que chegar...

E falando sobre isso com uma colega de trabalho que está acompanhando a série pela TV a cabo, descobri que ela tinha este livro (que logo veio emprestado para minhas mãos...).

Começando, o livro não é a história da série, é a história de uma das Condessas que morou no palácio onde a série é filmada.

O condado se chama Highclere (Downton Abbey é nome fictício) e Almina se tornou a condessa por casamento com o 5º Conde em 1895 e viveu até 1969.

O livro foi escrito pela atual Condessa, Lady Fiona, e conta a história de Almina, durante o período em que foi condessa, ou seja, até a morte do conde seu marido, data em que o filho do casal passou a ser o Conde e sua esposa se tornou a nova Condessa.


Traz um retrato interessante sobre a 1ª Guerra. Entre as pessoas citadas, a gente encontra algumas das mais importantes personalidades do século XX.

Não é uma obra essencial, mas diverte.  Agora, para quem assiste a série, a leitura fica muito mais agradável, para a gente fazer um paralelo com a realidade.



[terminei em 01/07/2013]

sábado, 18 de maio de 2013

Persuasão

Persuasão (Persuasion)
Jane Austen (1816)
L&PM (253 pág.)

Romance.

Meu terceiro livro de Jane Austen.
Tem vezes, quando a gente gosta muito de um autor, que dá uma gana de ler um livro depois do outro, sem parar.

É o caso da Jane Austen. A minha vontade é essa, mas sabendo que ela escreveu apenas 6 romances e outras poucas obras menores, me contenho para ler aos pouquinhos, para prolongar o prazer.

Então esse foi o terceiro, e tão bom quanto os anteriores.

Anne Elliot, a protagonista, com 27 anos, vive com seu pai e a irmã mais velha, ambos fascinados pela condição de nobreza que possuíam e, especialmente o pai, pela própria aparência.  Ela tem, ainda, uma irmã mais nova, casada.  Só que o pai e a irmã mais velha gastam mais do que podem e eles são obrigados a alugar a propriedade da família e se mudar para outro local.

Quem a aluga é um casal, ele almirante e ela, irmã de dois homens que já viveram na região, sendo que um deles, Frederick Wentworth, capitão da marinha, 8 anos antes, havia pedido Anne em casamento e fora rejeitado por ela, convencida por sua família e, em particular, por sua madrinha, que não poderia se casar com um homem sem posses e, ainda, à beira de uma guerra.

Manuscrito de Persuasão - cap. 24
Os anos passaram, a guerra acabou, agora ele tem dinheiro, ela está mais velha e abatida pela tristeza de se ter deixado persuadir pelos outros, e o encontro se vislumbra inevitável em decorrência da mudança...

Este foi o último livro finalizado pela autora, embora só tenha sido publicado (1818) após sua morte, com o título dado pelo irmão dela. Veja, ao lado, imagem da primeira página do último capítulo do manuscrito original.



Dizem que ela teria levado para a ficção (e resolvido) uma história vivida por ela, aos 20 anos, com um jovem chamado Thomas Lefrkoy que, na época, não tinha meios para se casar, o que motivou o rompimento.  Ela nunca se casou.

Jane Austen trabalha com sentimentos.
Enquanto em Orgulho e Preconceito ela trabalha, obviamente, com os efeitos que os preconceitos e o orgulho produzem sobre as pessoas e as decisões que elas têm que tomar; em Northanger Abbey, ela mostra os perigos da imaginação sobre a capacidade de avaliação dos jovens; neste, ela confronta a impetuosidade com a prudência e a possibilidade de uma jovem se deixar persuadir pela opinião dos outros.

E a carta do Wentworth é um deleite: "... You pierce my soul. I am half agony, half hope..." infelizmente perdeu um pouco da força com a tradução "... Meu coração está dilacerado. Estou em estado de semiagonia, semiesperança...".


Persuasão - 2007
Há um filme, de 1995, que não consegui ver, e um outro, feito em 2007 para a TV inglesa que está disponível, na íntegra e com legendas no Youtube.

O ator que fez o Wentworth (foto) foi muito bem escolhido, tem o porte necessário para o papel, a atriz que fez a Anne nem tanto, mas o filme tem vários defeitos, sendo que o pior foi terem mudado a estória.
E eu pergunto: por quê?
Meu Deus, o que faz um roteirista mudar uma estória dessas?  E, principalmente, o desfecho?

Ou seja, somente veja o filme se tiver lido o livro.

Eu gostei muito do livro, é claro que recomendo.

Muito bem, o objetivo de maio do Desafio Literário era um livro que tivesse sido citado em um filme.

Várias das opções não serviam para mim, porque já as tinha lido... Por outro lado, também queria que fosse um filme que eu achasse legal.


Aí lembrei de "O Clube de Leitura de Jane Austen", que cita os 6 romances e eu catei o livro da estante...
Só que não me lembrava mais do filme...
Voltei a ver, agora, e não achei mais tão bom assim.

No entanto, soube que o livro também tinha sido citado em outro filme "A Casa do Lago".
Peguei correndo, e tive uma grata surpresa.
Além de citar o livro, o filme tem uma suave inspiração na história da Jane Austen, misturada com um tanto de Ficção Científica. 

Não é tão bom quanto o livro, mas também recomendo.




[terminei em 18/04/2013]

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Bazaar Great Style


Bazaar - Great Style
Jenny Levin (2007)
Hearst Books - 233 pág.










Este vem em formato de livro, mas, realmente, é uma revista de moda em papel mais grosso, bem parecido com um outro que já tinha lido antes:  Fabulous at Every Age














Mas foi barato, mais ou menos o preço de uma revista mesmo, e ainda é um estímulo para aumentar o vocabulário em inglês...




O texto é insípido, não acrescenta nenhuma informação, mas tem muitas fotos, sempre de artistas de Hollywood, e de alguns itens sozinhos.
Diversão simples.




[terminei em 08/11/2012]

terça-feira, 23 de abril de 2013

Lendas de Outono

Légendes d'Automne (Legends of the Fall)
Jim Harrison (1978)
trad. para o francês de Serge Lentz
10/18 (287 pág.)

O livro reúne três histórias, grandes para serem contos, mas curtas para serem romances... Uma vingança, O homem que abandonou seu nome e a que dá nome ao livro, Lendas de outono.

Uma vingança - Um homem (Diller) espancado é deixado à beira da morte em um deserto no México. É encontrado por um índio e levado para uma missão. Lá, ele começa a planejar a vingança contra aqueles que fizeram isso com ele.

A história vai bem, desperta o interesse, mas o final é frágil, decepciona.


O homem que abandonou seu nome - Homem de cerca de quarenta anos, com sucesso no trabalho, rico, se divorcia de sua mulher e passa por mudança interna.

Esse prende, tem umas circunstâncias interessantes no meio, mas o final é previsível, do homem que abandona tudo e vai viver em um pequeno vilarejo à beira do mar. O título não se revela corretamente, já que ele abandona sua vida, mas não o nome.... 

Lendas de outono - O romance que dá nome ao livro e que, realmente, é indiscutivelmente superior aos anteriores.
O personagem principal é Tristan, filho do meio, entre dois irmãos, filhos de Ludlow, um ex-coronel de engenharia dos Estados Unidos que, por discordar da política em relação aos índios, se afastou em uma fazenda em Montana, e de Isabel, que não concorda com aquela vida rústica e com os invernos rigorosos da fazenda e passa a metade de seu tempo em Boston.
Isabel leva uma moça Susana, pensando que ela se daria bem com o filho mais velho, Alfred, mas ela fica noiva mesmo é de Tristan, que  é meio selvagem, tendo grande ligação com um velho índio que mora na fazenda.
A história começa com os três filhos viajando para lutar na Grande Guerra (1ª Guerra Mundial).


Virou filme, estrelado por Brad Pitt, que no Brasil recebeu o nome de "Lendas da Paixão" e que apresenta uma história muito, mas muito mesmo, modificada.
Eu sei que as linguagens são diferentes, há dificuldades para transpor algumas coisas do livro para o filme, mas há coisas que não precisavam ser mudadas e o foram para pior.
No livro, Susana não é órfã, não era noiva de Samuel, se casa com Tristan, casamento que é posteriormente anulado, quando este a abandona... ela não se mata...

Realmente é uma pena, porque a história que está no livro é  melhor do que a mostrada no filme.
 
Em português, a terceira história foi editada sozinha, em um livro curto.

Jim Harrison é comparado com Ernest Hemingway, mas não acho justa tal comparação.  Hemingway é superior.





[terminei em 14/04/2013]

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Sonho de uma Noite de Verão

Sonho de uma Noite de Verão (Midsummer Night's Dream)
William Shakespeare (1590)
LP&M (120 pág.)

Teatro.

Normalmente não gosto de contar o enredo, mas, neste caso, que o enredo é mais que conhecido, vou deixar os escrúpulos de lado:

Teseu, duque de Atenas, está para se casar com Hipólita.
Para comemorar as bodas, um grupo de artesãos se põe a ensaiar uma peça de teatro e marca um ensaio no bosque, à noite.

Durante os preparativos para a festa, o duque é procurado por Egeu para resolver o problema causado por sua filha Hérmia, que fora prometida a Demétrio, mas se recusa a casar com ele, preferindo Lisandro que também a ama.

Teseu dá o veredito e diz a Hérmia que ela deve se casar com Demétrio ou entrar para um convento.
Os apaixonados resolvem, então, fugir e marcam um encontro no bosque, à noite.

Demétrio, por sua vez, é amado por Helena, com quem estava prometido, anteriormente, tendo-a abandonado por Hérmia.  Ela, sabendo do plano de fuga de Hérmia e Lisandro, conta tudo a ele.

Resumindo, todo mundo vai para o bosque à noite....

Enquanto isso,  no mesmo bosque, o rei das fadas e duendes briga com a rainha e manda um ajudante buscar a flor do amor-perfeito para espremê-la sobre os olhos da rainha, fazendo com que ela se apaixone pelo primeiro ser que vir ao acordar.
No caminho, para se divertir, o ajudante passa por um dos atores que estava no ensaio e transforma sua cabeça em uma de burro...

A flor é espremida a torto e a direito, fazendo com que a rainha se apaixone pelo burro, Demétrio e Lisandro deixem Hérmia e se apaixonem por Helena.... ou seja, confusão total.

No final, as coisas se ajeitam e os atenienses voltam para as bodas de Teseu, achando que sonharam com tudo.

Durante a festa, a peça é representada (uma peça dentro da peça, como na Megera Domada), contando o caso de amor de Tisbe e Píramo, que lembra o de Romeu e Julieta...

Os especialistas em Shakespeare ressaltam sempre a qualidade do texto, normalmente rimado, característica que, com a tradução, se perde bastante.  Mas duas frases, em particular, me chamaram a atenção, já que têm vida fora do contexto:

"(...) os homens que mais detestam as falsas crenças são os que tiveram de abandoná-las porque nelas acreditavam."

"(...) têm língua amarrada o amor e a simplicidade: quanto menos falam, mais dizem".

A obra foi musicada por vários compositores, entre eles, Mendelssohn.  Dentre as peças que compõem seu balé, está a super-hiper-conhecida marcha nupcial.

São muitos filmes que montam a peça ou a citam,  motivo porque não vou nem tentar citá-los aqui.




[terminei em 10/04/2013]

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Livros...

Vídeo curto, que vale a pena ver:




sábado, 16 de março de 2013

10 Coisas que Odeio em Você

10 Coisas que Odeio em Você
Dir. Jil Junger (1999)
Julia Stiles e Heath Ledger

Como acabei de ler "A Megera Domada", soube da existência dessa nova versão filmada e fui a ela.

É a peça em versão adolecente americana, que não funcionou.

Sei que muita gente que adora o filme vai pular, mas realmente não funcionou, o que é uma pena.

Antes de ver, fiquei imaginando como teriam adaptado, para os dias de hoje, a exigência milenar de a segunda filha somente se casar depois da primeira...  E não é que o roteirista resolveu brilhantemente?  Mas, apesar disso, errou na mão no restante. A Kat tem vagos momentos de "megerice" e a Bianca, que devia ser doce e suave, é muito agressiva.  Conseqüentemente, o contraste se perde. E se perde a razão de ser da trama, do problema que move os personagens.

Na peça, ninguém queria a Catarina, por causa de seu gênio. No filme é a Kat que não quer ninguém.  São duas coisas bem diferentes.  Na peça, Catarina terroriza a vida da irmã. No filme, ela aceita sair com o Patrick para agradá-la...

E,  depois de um certo momento, o filme descamba geral, vira realmente mini-série de baile de formatura americano e abandona totalmente o enredo, vez que o Patrick parece mais domado do que a Kat no final...

O ritmo do filme é inconstante e ele só se alcançou sucesso pela grande força dos atores principais que, apesar de jovens, tinham (ele morreu) grande carisma e abraçaram com vontade os personagens.

Resumindo, continuo com a versão da Elisabeth Taylor...


[Assisti em 15/03/2012]

quarta-feira, 13 de março de 2013

Draping Basics

Draping Basics

Sally DiMarco (2010)
Fairchild (404 pág.)

Moda.

Ô livrinho chato.
Quer dizer, livrinho não, porque ele é grande, bem grande.

A autora começa cada seção com as mesmas instruções que já tinham sido apontadas na anterior, e na anterior, e na anterior...

E, embora o livro seja sobre moulage/draping, é um tal de mede, desenha, risca, que a moulage vai embora, achando tudo chato...

E o tecido escolhido para as fotos, um Vichy cor-de-rosa dói na vista!

Graças a Deus que já tinha lido o ótimo Moulage, senão ia achar que a técnica era insuportável.
Mas não é. Este livro é que é totalmente dispensável.

Não comprem e não leiam.

Em inglês.


[terminei em 03/11/2012]

segunda-feira, 11 de março de 2013

Vestindo uma época

En Habillant l'Époque
Paul Poiret (1930)
Grasset (240 pág.)

Memórias.

Paul Poiret foi um estilista francês que ditou a maneira das mulheres se vestirem na década de 1910 e influenciou as décadas seguintes.

Ele mudou a silhueta feminina, afastando o uso do espartilho ou, pelo menos, reduzindo os exageros que faziam mulheres desmaiar por falta de ar, causavam problemas na postura, impediam mulheres e, até homens, de sentar em público, etc.

Poiret e Josephine Baker
em uma festa a fantasia.


A verdade é que o espartilho continuou a existir, mesmo nos anos 20, só que de forma a achatar os seios...   Mas ele deu o tiro mortal, isso é verdade e o espartilho foi desaparecendo.

Suas roupas foram muito influenciadas pela estética russa.

O livro é muito interessante porque mostra não somente as questões de moda, mas um belo retrato da sociedade européia da época.   Isadora Duncan, Rotshchild, Josephine Baker, Payot,  e muitos outros nomes são citados.
Denise Poiret



Poiret utilizava sua mulher, Denise, como modelo vivo de suas criações (Na foto ao lado me chama a atenção a marca do bronzeado e a transparência da roupa).



Também foi responsável pela realização de festas memoráveis em Paris, em particular a "La Mille et deuxième nuit" onde todos os convidados tinham de estar a caráter, com trajes orientais e, aqueles que chegavam sem fantasia, encontravam várias à disposição.
A descrição da festa é realmente inacreditável.

A 1002ª noite...

Fez muito sucesso e ganhou muito dinheiro e sua liberalidade no gastar não teria sido um problema tão grande se a Grande Guerra de 1914 não houvesse ocorrido, quando foi obrigado a se afastar de seu negócio para atender à convocação, sendo, por óbvio, mal aproveitado.  Os militares não entendiam como ele era costureiro e não sabia costurar...
Isadora Duncan e Paul Poiret

Passado o conflito, veio o declínio.

Falido, ele ficou esquecido (como sempre acontece) e morreu pobre em 1944.

Muito bom, seja para quem se interessa por moda, seja para quem se interessa pela história do século XX.

Infelizmente, não há tradução em português.

[terminei em 31/10/2012]

sexta-feira, 8 de março de 2013

Memórias de um burro

Mémoires d'un Âne
Comtesse de Ségur (1860)
ebook (348 pág.)

Infantil.

A Condessa de Ségur teve um casamento infeliz e seu marido, que não era fiel, transmitiu a ela uma doença venérea que lhe impunha longos períodos sem voz. Não obstante, eles tiveram oito filhos e os filhos, por sua vez, geraram netos.


Foi para esses muitos netos que a Condessa, já com mais de 50 anos, começou a escrever, chegando, surpreendentemente,  a viver dos direitos autorais.

Nesse livro, ela dá a pena a Cadichon, um burro que, depois de ter ouvido duas crianças discutirem sobre suas capacidades intelectuais, decide escrever suas memórias para provar que os burros (asnos) são muito inteligentes e espirituosos.

Cadichon narra suas várias aventuras, de como foi maltratado por uns donos e, eventualmente, bem tratado por outros, até chegar à casa da avó de Henri, a quem ele dedica o livro, uma das muitas crianças com as quais ele vive (Jacques, Camille, Auguste e outros).

Ele mostra também como se tornou um burrinho azedo e agressivo e como isso fez com que ele perdesse o amor de seus donos e o respeito dos demais humanos e animais e o que ele resolveu fazer para mudar tal situação.


Uma graça de história.  Aparentemente longa para crianças, mas flui bem.  Agradou àquela que vive em mim.

Recomendado.

O texto, em francês, está disponível no site canadense: http://beq.ebooksgratuits.com/vents/segur.htm 

Como cereja no topo da sobremesa, ainda acompanhei a leitura com a gravação feita por Florent, do maravilhoso site Littérature Audio.

Com esse livro, atendi à exigência de março do Desafio Literário, de ler um livro cujo protagonista fosse um animal.

E a coincidência quis que terminasse um livro escrito por uma mulher, justamente no dia internacional da mulher.  Parabéns para nós todas!



[terminei em 08/03/2013]

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A Megera Domada

A Megera Domada (The Taming of the Shrew)
William Shakespeare (1592)
(50 pág.)


Teatro.

Peça cômica de Shakespeare, escrita a partir de histórias conhecidas na época.

A peça começa com uma outra história, na qual um nobre resolve brincar com um bêbado, colocando-o dentro de sua casa e fazendo com que todos os criados o tratem como se fosse o dono da casa que estivesse sofrendo de uma falta de memória.
No meio da brincadeira, aparece um grupo de teatro que apresenta a história da megera domada.  O ponto estranho é que, após o fim da história, Shakespeare não volta à trama inicial, que termina sem fim.

Mas vamos à peça dentro da peça:

Bianca, moça bonita e delicada, atrai vários pretendentes, mas seu pai insiste em afirmar que ela somente poderá se casar depois de sua irmã mais velha, Catarina.

O problema é que Catarina é intratável e maltrata até mesmo a doce Bianca.

Os pretendentes de Bianca, então, resolvem buscar um pretendente para Catarina e encontram Petruchio.
Eles se casam rapidamente e Petruchio começa a "domar" a incontrolável Catarina, fazendo-a passar fome e ficar sem dormir, sempre com subterfúgios, de que a comida não fosse boa o bastante para ela, de que a roupa que ela ia vestir não estivesse à sua altura, que a cama não estivesse corretamente preparada... tudo como se estivesse realmente querendo o bem dela.

Enquanto isso, os pretendentes, livres, podem agir, mas um deles, troca de lugar com o empregado e se faz passar por professor para se aproximar de Bianca. Eles terminam casando.  Outro pretendente, desiludido, também se casa com uma viúva que há muito gostava dele.

Na festa de casamento, todos se reúnem e Petruchio propõe aos outros uma aposta, de que sua mulher era mais obediente que as outras...


A peça já foi inspiração para vários filmes. Já vi o do Zefirelli, com a Elisabeth Taylor (ótima como Catarina!) e ainda quero ver o "10 coisas que odeio em você".

Também já rendeu várias novelas brasileiras.  "A Indomável", da TV Excelsior, eu obviamente não pude ver, já que passou em 1965. Já "O Machão", da TV Tupi, assisti quando criança, foi uma novela de grande sucesso e que, por isso, durou muito, sendo transmitida entre os anos de 1976 e 1978. Lembro que era ambientada nos anos 20 e as festas de Natal e Reveillon da ficção coincidiam com as da realidade. Era estrelada pelo Antônio Fagundes e a Maria Isabel de Lisandra, ambos ótimos.  Recentemente (2001), a TV Globo fez sua adaptação, que eu não assisti, com o nome de "O cravo e a rosa", com Eduardo Moscovis e Adriana Esteves.

Voltando ao livro, comprei minha edição em um sebo, pela internet (o que impede que a gente folheie e examine o livro) e lamentei bastante. A edição é pobre, horrorosa, com o texto apertado, quase sem margem, e a tradução é péssima!!!! Somente após é que soube que o Millor Fernandes também traduziu o texto, que saiu em edição da L&PM, que, embora esgotada, era a que devia ter comprado.  Acidente de percurso...

Não sei se por causa da edição ou se porque já conhecia a trama, mas não me rendeu nem um risinho sequer. Ainda assim, vale como segunda opção do Desafio Literário. 



[terminei em 19/02/2013]

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Moulage

Moulage - Arte e Técnica no design de moda
Annette Duburg e Rixt van der Tol (2012) 
Trad. Bruna Pacheco
Bookman (247 pág.)

Livro técnico de moda e costura.

Ótimo livro.  Mas ótimo mesmo!

Objetivo, completo, direto, faz a gente querer largar tudo, pegar vários tecidos e começar a seguir as instruções.

Para quem não sabe, Moulage é a técnica de criar roupas diretamente no manequim.

Em inglês se chama Draping e, como não há nome em português para essa técnica, a editora deixou o nome francês como título que, vamos e venhamos, é muito mais agradável para os nossos ouvidos.

Bem, vamos ao conteúdo:   Os autores mostram, passo a passo, como fazer blusas, saias, calças, mangas, golas.... bolsos, franzidos, pregas...

E, como se não bastasse, ainda montam vários modelos consagrados da costura mundial,  de  1892 a nossos dias.  É um deleite.

Recentemente li outros dois livros sobre esta técnica que realmente foram um desapontamento.

Graças a Deus esse foi o primeiro, senão, teria me desinteressado completamente do assunto.


Parece que essa edição já se esgotou, mas a simpatia da Mariana Belloli Cunha, da editora, fez o favor de me avisar que eles estão preparando nova edição, para já.

Quando sair, comprem imediatamente.

O livro vale cada centavo.

[terminei em 19/10/2012]

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Bíblia

Bíblia
Tradução de Almeida
Edição Revista e Atualizada (1.223 pág.)

Esta foi a minha 12ª  leitura da Bíblia.
E vocês podem perguntar, mas já não tinha lido? Porque ler novamente, e tantas vezes?

Gosto muito de uma historinha:

"Um jovem procurou um professor muito famoso e se ofereceu para ficar em sua casa como aprendiz.
Como primeira tarefa, o professor mandou que ele fosse ao rio buscar água, usando um cesto velho, todo sujo, que estava largado em um canto.

Ele foi. Mergulhou o cesto no rio e voltou pelo caminho. Só que a água foi escorrendo pelas frestas. Escorrendo, escorrendo.
Quando chegou na casa do professor, só tinha um pouquinho no fundo.
Então o professor mandou que ele voltasse para pegar mais água.

Ele foi, mergulhou o cesto no rio e voltou, derramando água pelo caminho.
E isso muitas vezes.

Cansado de tanto ir e vir, o aluno se irritou e reclamou com o professor:
- O senhor não está vendo que isso não adianta? Esse cesto não retém a água!

O professor respondeu: - É verdade, mas olhe para ele agora.

O cesto, que antes estava imundo, agora estava limpinho."


[terminei em 25/10/2012]

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Tintim e os Pícaros

Tintin et les Picaros
Hergé (1976)
Casterman (62 pág.)

Tintin e seus amigos são atraídos para uma armadilha preparada pelo General Tapioca, que havia deposto o General Alcazar e sequestrado a cantora Bianca Castafiori.

Só que o vilão não contava com a coragem e a sorte de nosso herói que não só escapa da armadilha, como devolve o governo de San Theodoros para Alcazar.

Como sempre, é uma trama movimentada, embora não esteja entre as minhas favoritas. 

[terminei em 06/10/2012]