
Jane Austen (1816)
L&PM (253 pág.)
Romance.
Meu terceiro livro de Jane Austen.
Tem vezes, quando a gente gosta muito de um autor, que dá uma gana de ler um livro depois do outro, sem parar.
É o caso da Jane Austen. A minha vontade é essa, mas sabendo que ela escreveu apenas 6 romances e outras poucas obras menores, me contenho para ler aos pouquinhos, para prolongar o prazer.

Anne Elliot, a protagonista, com 27 anos, vive com seu pai e a irmã mais velha, ambos fascinados pela condição de nobreza que possuíam e, especialmente o pai, pela própria aparência. Ela tem, ainda, uma irmã mais nova, casada. Só que o pai e a irmã mais velha gastam mais do que podem e eles são obrigados a alugar a propriedade da família e se mudar para outro local.
Quem a aluga é um casal, ele almirante e ela, irmã de dois homens que já viveram na região, sendo que um deles, Frederick Wentworth, capitão da marinha, 8 anos antes, havia pedido Anne em casamento e fora rejeitado por ela, convencida por sua família e, em particular, por sua madrinha, que não poderia se casar com um homem sem posses e, ainda, à beira de uma guerra.
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Manuscrito de Persuasão - cap. 24 |
Este foi o último livro finalizado pela autora, embora só tenha sido publicado (1818) após sua morte, com o título dado pelo irmão dela. Veja, ao lado, imagem da primeira página do último capítulo do manuscrito original.

Dizem que ela teria levado para a ficção (e resolvido) uma história vivida por ela, aos 20 anos, com um jovem chamado Thomas Lefrkoy que, na época, não tinha meios para se casar, o que motivou o rompimento. Ela nunca se casou.
Jane Austen trabalha com sentimentos.
Enquanto em Orgulho e Preconceito ela trabalha, obviamente, com os efeitos que os preconceitos e o orgulho produzem sobre as pessoas e as decisões que elas têm que tomar; em Northanger Abbey, ela mostra os perigos da imaginação sobre a capacidade de avaliação dos jovens; neste, ela confronta a impetuosidade com a prudência e a possibilidade de uma jovem se deixar persuadir pela opinião dos outros.
E a carta do Wentworth é um deleite: "... You pierce my soul. I am half agony, half hope..." infelizmente perdeu um pouco da força com a tradução "... Meu coração está dilacerado. Estou em estado de semiagonia, semiesperança...".
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Persuasão - 2007 |
O ator que fez o Wentworth (foto) foi muito bem escolhido, tem o porte necessário para o papel, a atriz que fez a Anne nem tanto, mas o filme tem vários defeitos, sendo que o pior foi terem mudado a estória.
E eu pergunto: por quê?
Meu Deus, o que faz um roteirista mudar uma estória dessas? E, principalmente, o desfecho?
Ou seja, somente veja o filme se tiver lido o livro.
Eu gostei muito do livro, é claro que recomendo.
Muito bem, o objetivo de maio do Desafio Literário era um livro que tivesse sido citado em um filme.

Aí lembrei de "O Clube de Leitura de Jane Austen", que cita os 6 romances e eu catei o livro da estante...
Só que não me lembrava mais do filme...
Voltei a ver, agora, e não achei mais tão bom assim.

Peguei correndo, e tive uma grata surpresa.
Além de citar o livro, o filme tem uma suave inspiração na história da Jane Austen, misturada com um tanto de Ficção Científica.
Não é tão bom quanto o livro, mas também recomendo.
[terminei em 18/04/2013]