segunda-feira, 4 de abril de 2011

O Velho e o Mar - 1

The Old Man and the Sea (O Velho e o Mar)
Ernest Hemingway (1952)
Scribner (127 pág.)

Meu inglês não é dos melhores.
Mas sabia que esta obra era conhecida, entre outras qualidades, pelo fato de Hemingway ter usado um inglês simples, coloquial.

O livro é curto, esta edição, em papel jornal, estava barata, daí resolvi arriscar e ler o original, em inglês.

Pretendia usar como bengala um exemplar do meu marido, edição do Círculo do Livro com tradução de Fernando de Castro Ferro, mas não deu.

Tradutor tem que respeitar a obra, e esse senhor desrespeitou o Hemingway logo na primeira linha (e em muitas outras).
A tradução não pode alterar o que foi escrito.  Uma obra se torna uma obra de arte pelo cuidado do autor na escolha das palavras, pelo destaque que ele dá a uma ou outra e pela ordem em que elas aparecem.

O original começa assim:
"He was an old man who fished alone in a skiff in the Gulf Stream and he had gone eighty-four days now without taking a fish"
"Ele era um homem velho que pescava sozinho em um esquife na corrente do Golfo e havia 84 dias que não pegava um peixe" (tradução minha)

Obviamente, a imagem que fica registrada é a de um homem velho, decadente e solitário. 
O nome dele só vai aparecer na segunda página, quando um menino que antes o ajudava fala com ele.

Essa escolha não é à toa.  Hemingway faz com que a gente se identifique com o homem, com a solidão, com o drama do tempo que passa, tirando de cada um de nós a força e o vigor e deixando as memórias e lembranças de muitos erros e derrotas e, finalmente com a proximidade da morte.
É um homem sem nome, um ser humano como outro qualquer. Como eu e você. 

Somente quando a imagem já se cristalizou, aparece o nome, Santiago, que poderia ser Manoel, Carlos, Henrique...

Mas o tal "tradutor" começa assim:
"O velho chamava-se Santiago. Dia após dia, tripulando sua pequena canoa, ia pescar na corrente do Golfo. Mas nos últimos oitenta e quatro dias não apanhara um só peixe."

Não é um absurdo?  Se o fulano acha que pode inventar história, porque não faz a dele, que ninguém vai editar e ninguém vai ler?   Mas mexer no trabalho de outro, especialmente de uma obra-prima da literatura mundial, realmente...

Fiquei muito indignada com o que esse senhor fez, motivo porque registro aqui o nome, para nunca ler um livro que tenha sido traduzido por ele, já que esse eu, Graças a Deus, não li, vez que tinha a sorte de possuir a versão original.

É uma pena, porque a referida edição era ilustrada por Ênio Squeff, em belíssimos trabalhos a bico de pena.  E foi só o que eu aproveitei do volume.

Desculpem o desabafo, no próximo post falo só sobre a obra, prometo.
[terminei em 11/03/2011]

5 comentários:

  1. Ainda pretendo ler este livro...

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  2. Ah essas traduções... eu também tenho altas broncas com traduções, é um absurdo quando fazem como este senhor fez, imagine que atrocidade inventar assim... ainda bem que tu fez esta psotagem de utilidade pública :)
    estrelinhas coloridas...

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  3. Britto: Leia sim, você vai gostar. Só escolha outra tradução... e não perca a continuação do post.

    Mi: Não é? Meu sangue ferveu... Bj.

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  4. É triste saber que podemos estar lendo simplesmente outra coisa que não a obra na integra. Solidarizo com seu desabafo.
    Beijinhos e uma ótima semana.
    AH: esse livro está na minha lista.

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  5. Eu também fico revoltada com certos erros de tradução que encontro. Pena que nem sempre podemos ter à mão os originais :(

    Beijos

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