quarta-feira, 9 de junho de 2010

Orgulho e Preconceito - 1

Orgulho e Preconceito
Jane Austen (1813)
L&PM (392 pág.)


Amei de paixão!
Este é um exemplo típico de como a persistência é uma qualidade a ser perseguida pelos leitores.

O começo é enjoadinho, a gente se irrita com os personagens, inclusive com a principal, Elizabeth Bennet, mas, de repente, no virar de uma página, se apaixona e não consegue mais largar o livro e, quando ele acaba, quantas saudades!
(os franceses têm uma expressão para se apaixonar que eu acho que se aplica bem a este caso: "Coup de foudre" ou seja, a pessoa se sente atingida por um raio, um sentimento intenso e imediato). 


História romântica, é claro (afinal, isso não faz mal a ninguém), muito bem escrita e conduzida.


Gostei muito da capa da L&PM.  Acho importante que um livro tenha uma bela capa, já que aquela imagem vai nos acompanhar por vários dias, semanas e acaba influenciando na forma como nós vemos os personagens e a história e infelizmente algumas editoras não têm esta preocupação.


Assim, esta realmente é de muito bom gosto e adequada à obra, não ficando em nada a dever a outras edições pelo mundo (que também têm capas lindas):


Para terminar, tendo em vista a paixonite declarada, este livro ainda volta nos próximos posts...


Super recomendado!

[terminei em 16/05/2010]


Continuações: (1 - 2 - 3 - 4 - 5)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Dicas para encontrar o homem de sua vida

Patch pour trouver l'homme de sa vie
Aude et Aurelie (2008)
First Editions (247 pág.)

Bobagem.
Nada mais que isso.  Comprei há muito tempo, em um pacote de bobagens francesas, com o objetivo de encontrar vocabulário diversificado, mas nem isso eu achei.
As autoras tentam orientar jovens mulheres na faixa dos 30 que ainda não tenham encontrado sua "cara metade", mas duvido que o livro tenha ajudado alguém neste sentido. 

A única coisa que se salva são os desenhos, bem humorados, de Pénélope Bagieu.
Esqueça!  Não compre jamais!
[terminei em 11/05/2010]

sábado, 5 de junho de 2010

O hábito não faz o monge

L'habit ne fait pas le moine
Philip Roth (2002)
Céline Zins (trad. do inglês para o francês)
Folio (110 pág.)

Contos.

Antes do livro, um pequeno comentário:
A Folio lançou esta série com o objetivo de divulgar os autores.  São pequenos livros ao preço de 2 Euros, o que não é nada para os padrões europeus... (o salário mínimo francês - SMIC este ano, em 2010, é de 1.343,77 Euros e o preço do livro corresponderia a R$ 0,76 em relação ao nosso salário mínimo daqui).
Não são obras de vulto, mas pequenas amostras. 

Neste caso, o livrinho traz 2 contos:

Défenseur de la foi (Defensor da fé) - História passada no fim da 2ª Guerra em que o narrador, Marx, um sargento, se vê manipulado por três soldados judeus, como ele, que utilizam argumentos da religião para conseguir privilégios. Só que...

L'habit ne fait pas le moine (O hábito não faz o monge) - Esse, embora dê o nome ao livrinho, não é tão bom quanto o outro.   O narrador conta casos de seu tempo de colégio (high-school - o equivalente ao 2º grau, científico, liceu, seja lá o nome que tenha hoje), quando conviveu com jovens que já tinham se envolvido em pequenos delitos.  O aluno descobre, ao final, que a escola mantém uma "ficha" com todos os seus atos registrados. Me pareceu uma crítica ao Macartismo, mas não posso garantir.

Philip Roth é um escritor americano, de origem judaica, ainda vivo.  Este livro não chegou a me entusiarmar, mas ele escreve bem, o texto flui, motivo porque não descartei a possibilidade de ler um de seus livros mais famosos: "A marca humana" ou "O complexo de Portnoy".
Mas esse eu não recomendo.

[terminei em 28/04/2010]

terça-feira, 1 de junho de 2010

Lista do "Le Monde"

Mais uma lista de livros, esta do "Le Monde"

Le Monde s'effondre - Chinua Achebe - Nigeria
Les Contes d'... Andersen - Danemark
Orgueil et préjugés - Jane Austen - Angleterre
Le Père Goriot - Honoré de Balzac - France
Molloy, Malone meurt, L'Innomable Trilogie de - Samuel Beckett - Irlande
Le Decameron - Jean Boccace - Italie
Fictions - Jorge Luis Borges - Argentine
Les Hauts de Hurle-Vent - Emily Bronte - Angleterre
L'Étranger Albert Camus - France
Les poèmes de... Paul Celan - Roumanie
Voyage au bout de la nuit - Louis-Ferdinand Céline - France
Don Quichotte - Miguel de Cervantes Saavedra - Espagne
Les Contes de Cantorbéry - Goeffrey Chaucer - Angleterre
Nostromo - Joseph Conrad - Angleterre
La Divine Comédie - Dante Alighieri - Italie
De grandes espérances - Charles Dickens - Angleterre
Jacques le fataliste - Denis Diderot - France
Berlin Alexanderplatz - Alfred Doblin - Allemagne
Crime et Châtiment, L'Idiot, Les Possédés, Les Frères Karamazov - Fedor M. Dostoïevski - Russie
Middlemarch - George Eliot - Angleterre
Homme invisible, pour qui chantes-tu? - Ralph Ellison - États-Unis
Médée - Euripide - Grèce
Absalon!, Absalon! et Le Bruit et la Fureur - William Faulkner - États-Unis
Madame Bovary et Une éducation sentimentale - Gustave Flaubert - France
Romancero Gitan - Federico Garcia Lorca - Espagne
Cent ans de solitude et L'Amour au temps du choléra - Gabriel Garcia Marquez - Colombie
Faust, une tragédie - Johann Wolfgang von Goethe - Allemagne
Âmes mortes - Nikolai Gogol - Russiev
Le Tambour - Gunter Grass - Allemagne
The Devil to Pay in the Backlands - Joao Guimaraes Rosa - Brésil
La Faim - Knut Hamsun - Norvège
Le Vieil Homme et la Mer - Ernest Hemingway - États-Unis
L'Iiade et l'Odyssée - Homère - Grèce
Maison de poupée - Henrik Ibsen - Norvège
Le Livre de Job - Israël
Ulysse - James Joyce - Irlande
Le Procès et Le Château - Franz Kafka - Rép. tchèque
L'Anneau de Sakuntala - Kalisada - Inde
Le Grondement de la montagne - Yasunari Kawabata - Japon
La Storia - Elsa Morante - Italie
Zorba le Grec - Nikos Kazantzakis - Grèce
Amants et fils - DH Lawrence - Angleterre
Le Livre du peuple - Halldor K. Laxness - Islande
Les poèmes de... Giacomo Leopardi - Italie
Le Carnet d'or - Doris Lessing - Angleterre
Fifi Brindacier - Astrid Lindgren - Suède
Diary of a Madman et Other Stories - Lu Xun - Chine
Children of Gebelawi - Mahfouz - Égypte
Mahabharata - Inde
Les Buddenbrook et La Montagne magique - Thomas Mann - Allemagne
Moby Dick - Herman Melville - États-Unis
Essais - Montaigne - France
Beloved - Toni Morrison - États-Unis
The Tale of Genji - Genji Shikibu Murasaki - Japon
L'Homme sans qualités - Robert Musil - Autriche
Lolita - Vladimir Nabokov - Russie/ États-Unis
Njaals Saga - Islande
1984 - George Orwell - Angleterre
Le Livre de l'intranquillité - Fernando Pessoa - Portugal
Les Contes d'... Edgar Allan Poe - États-Unis
À la recherche du temps perdu - Marcel Proust - France
Gargantua et Pantagruel - François Rabelais - France
Pedro Paramo - Juan Rulfo - Mexique
Les Métamorphoses - Ovide - Italie
Mathnawi - Jalal ad-din Rumi - Iran
Enfants de minuit - Salman Rushdie - Inde/ Angleterre
The Orchard - Sheikh Musharrif ud-din Sadi - Iran
Season of Migration to the North - Tayeb Salih - Soudan
L'Aveuglement - Jose Saramago - Portugal
Hamlet, Le Roi Lear et Othello - William Shakespeare - Angleterre
Oedipe Roi - Sophocle - Grèce
Le Rouge et le Noir - Stendhal - France
Vie et Opinions de Tristam Shandy - Laurence Sterne - Irlande
La Conscience de Zeno - Italo Svevo - Italie
Les Voyages de Gulliver - Jonathan Swift - Irlande
Guerre et Paix, Anna Karenina, La Mort d' Ivan Illitch - Leo Tolstoï - Russiev
Récits divers - Anton P. Tchekhov - Russie
Les Mille et une Nuits - Inde/Iran/ Iraq/Égypte
Huckleberry Finn - Mark Twain - États-Unis
Ramayana - Valmiki - Inde
L'Énéide - Virgile - Italie
Feuilles d'herbe - Walt Whitman - États-Unis
Mrs Dalloway et Promenade au phare - Virginia Woolf - Angleterre
Les Mémoires d'Hadrien - Marguerite Yourcenar - France

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Du plus loin de l'oubli

Du plus loin de l'oubli
Patrick Modiano (1995)
Folio (181 pág.)

Homem conta como encontrou uma mulher, Jacqueline, em três épocas de sua vida, separadas por 15 anos, a primeira, nos anos 60, quando eram muito jovens, a segunda em torno dos 35 e, finalmente a terceira, aos 50.


A idéia é boa, eu comprei pensando ser uma história movimentada, mas não.
O período da juventude é muito longo, embora não aconteça grande coisa, e os outros períodos são breves demais.

O autor escreve bem, parece que a gente está vendo um filme, do tipo "Nouvelle Vague" e a narrativa prende, apesar de não haver uma história em si, já que nada acontece efetivamente.
Talvez seja esse realmente o objetivo, de mostrar que, às vezes, somente o tempo passa e pouco acontece de memorável na vida de uma pessoa.

Mas não chego a indicar. 

[terminei em 23/04/2010]

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Então tá, Jeeves.

Então tá, Jeeves (Right Ho, Jeeves)
P.G. Wodehouse (1934)
Editora Globo (281 pág.)

Comédia. Farsa.

Homem atrapalhado (Bertram Wooster) tem um criado que resolve tudo.
Só que o patrão não aceita isso e quer mostrar que também é capaz de solucionar problemas... e acaba criando outros, muito piores.


Nesta história, Gussie, um amigo seu, procura Jeeves porque está apaixonado por uma moça e não sabe como se aproximar dela.
Esta moça é Madeline, amiga de Ângela, prima de Wooster. Este proíbe o mordomo de agir e manda Gussie passar uns dias na casa de sua tia Dália.

Em seguida, também vai para lá com Jeeves, tentar "resolver" uma nova situação, do noivado terminado entre sua prima Ângela e Tuppy Glossop.


A confusão fica enorme...  até que Jeeves conserta tudo.

O autor é citado no filme "Um lugar chamado Nothing Hill" na cena em que um dos amigos do mocinho conversa com a superstar e diz que já fez um pouco de Teatro:  "P.G. Wodehouse".

Embora não haja uma citação clara, ao ler a história me lembrei imediatamente de alguns filmes de Fred Astaire em que um amigo (Edward Everett Horton), atrapalhado, discutia com seu mordomo (Eric Blore) e me parece que estes personagens tenham sido baseados em Wooster e Jeeves, em particular  quanto às discussões quanto às roupas adequadas (foto do filme Top Hat / Piccolino). 

 Ultra recomendado! Já saí correndo e comprei os outros da série (infelizmente só 3 saíram no Brasil, embora o escritor tenha muitas obras).

[terminei em 23/04/2010]

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O crime do Padre Amaro / A relíquia


Mais um pouco do Eça de Queiroz.

Eu gosto muito do estilo dele, é objetivo, crítico na medida e suas narrativas prendem.

Estes dois romances  tratam da hipocrisia de "falsos religiosos". Parece que ambos causaram muito reboliço quando foram lançados em Portugal,  numa época em que ser católico era obrigação.

O Crime do Padre Amaro

Este é um romance (drama) um pouco mais longo e que trata do voto de castidade imposto aos padres, mostrando como o jovem padre Amaro se envolve com uma jovem, Amélia e de como seus atos e consciência vão sendo influenciados pelos seus superiores.
  
Eu sempre tenho muito cuidado para não revelar a história, pois acho que estraga a leitura, daí não digo mais nada.  Mas é bom, pode ler.

Recentemente a história virou filme, mas não assisti. Fico devendo.

[terminei na década de 80]

A Relíquia

Este, em tom de comédia contida (não rasgada), é bem mais curto.
A história é narrada por Teodorico Raposo, sobrinho de uma senhora beata, Dona Maria, que o criou.
Só que ele finge seguir os preceitos dela enquanto leva uma vida um tanto quanto "livre".
Ele parte em viagem e promete mandar à tia uma relíquia religiosa, mas o pacote se confunde com um outro, que ele mandara para uma "amiga"...
Muito bom.
[terminei no ano 2000]

terça-feira, 18 de maio de 2010

Novas tecnologias.

Amei este vídeo postado pela Lia do


Eu já comprei vários... 


domingo, 16 de maio de 2010

Citações

Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem."
Mário Quintana
 
"Dupla delícia/ O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado."
Mário Quintana
 
"Um país se faz com homens e livros"
Monteiro Lobato


sexta-feira, 14 de maio de 2010

Ana Karênina - 4

Ana Karênina
Leon Tolstoi (1877)
Editora Abril (749 pág.)

Tolstoi tem, como grande qualidade, a capacidade de dar vida a seus personagens. É como se eles saltassem do livro, com volume, cor, movimento e voz, simpatia ou antipatia. Ou seja, realmente vivos.

No entanto, embora o livro tenha recebido o nome de Ana Karenina, e ele descreva a personagem como uma mulher linda, de pele muito branca e cabelos e olhos negros, dona de uma personalidade viva, de movimentos atraentes, capaz de deixar todos os que dela se aproximam verdadeiramente atordoados, o fato é que me parece que Tolstoi não gosta dela.

Em nenhuma das três ocasiões em que eu tive contato com o livro (em idades e épocas bem diversas da minha vida, havendo cerca de 30 anos de distância entre a primeira e a última) consegui ter empatia com a personagem principal Ana e seu amado, Vronski, preferindo sempre a história paralela, da Kitty e do Liêvin e penso que isso é conseqüencia do enfoque dado pelo Autor.

É claro que, com empatia ou não, a personagem da Ana é impressionante, por sua beleza, sua habilidade para impressionar as pessoas e, ao mesmo tempo o seu enorme sofrimento ao lidar com a paixão e a rejeição da sociedade, que agrava a sua instabilidade emocional e incapacidade de viver sem ser permanentement amada e admirada.

Até mesmo sua relação com os filhos é estranha, ela ama mais o filho do homem que não amava e praticamente rejeita a filha de Vronski e, ao mesmo tempo em que compara o amor a Vronski ao do filho, se consola com uma única visita ao menino. 


Bom, a personagem já ganhou vida no balé, na ópera, no cinema e na TV.

No cinema e na TV, foi interpretada, entre outras, por Greta Garbo (duas vezes), por Vivien Leigh, Jacqueline Bisset e, recentemente, por Sophie Marceau.
Todas lindas, embora nenhuma corresponda à Ana que formei em minha mente...

Quanto ao Vronski, os da Garbo foram John Gilbert (1927) e
Fredric March (1935), o da Vivien Leigh foi Kieron Moore
o da Sophie Marceau foi Sean Bean (1997) mas...

o da Jacqueline Bisset era o Cristopher Reeves... Super-inigualável!  


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Perdoem a ausência...

Vocês, meus queridos leitores, me perdoem.
A falta de posts não tem qualquer relação com um eventual desinteresse meu pelo blog, mas com uma lamentável  TENDINITE nas duas mãos.

O tratamento, que já passou por anti-inflamatórios e agora está na fisioterapia, prescreve, também, um certo repouso.  Como do trabalho não dá para eu me afastar... tive que me privar do lado divertido do computador, ou seja, da internet e, consequentemente, deste blog.

Eu já tinha alguns posts preparados e, como vocês já notaram, eu os programei com intervalos mais longos do que o habitual.
Mas assim que tudo melhore voltamos com tudo!

Abraços doloridos.


"Ele adestrou as minhas mãos para o combate, de sorte que os meus braços vergaram um arco de bronze." (Salmos 18:34)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Ana Karênina - 3

Ana Karênina
Leon Tolstoi (1877)
Editora Abril (749 pág.)

Bom, os posts anteriores foram uma espécie de desabafo pela dificuldade de chegar ao fim do livro, mas vamos ao romance em si mesmo.

O livro foi escrito quando Tolstoi tinha cerca de 47/49 anos e foi publicado como novela em um jornal.  Parece que o personagem de Ana tenha sido inspirado na filha mais velha do também escritor Alexandre Pouchkine.

A trama apresenta dois casais, o de Ana e Vronski, vivendo em uma situação irregular, cheios de ciúmes e inseguranças e o de Kitty e Liêvin, um amor pleno, em que cada um se preocupa em fazer o outro feliz.  Por esse motivo, Tolstoi pensou em dar à obra o nome de "Dois casamentos, dois casais".

O fio de ligação entre os dois casais é a pessoa de Vronski que,  ao despertar paixões em Kitty e em Ana, transtorna as vidas das duas, no caso de Ana, a faz romper o casamento formalizado com Karênin e a afasta de seu filho, Sierioja, a quem ela muito amava e, no caso de Kitty, quase impede o casamento com Liêvin.

Tolstoi monta toda sua narrativa em torno da força da família e de como sua destruição pode causar dor e sofrimento e inicia o romance com a frase que se tornou famosa:

"Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira".

De forma paralela, outros casais aparecem: o de Dolly e Stiva,  no qual ela, por amor ao marido e aos filhos, finge ignorar suas traições e suporta todas as dificuldades financeiras causadas pela imaturidade dede, o dos pais de Kitty, que se amam e se respeitam, apesar das diferenças de personalidade, o casal do infortúnio, de Nicolau e Maria, em que esta não o abandona, apesar da doença e miséria, o casal que não chega a se formar, de Varienka e Sérgio.

Outro fio de ligação é o trem. Ana e Vronski se conhecem na estação, quando acontece um acidente. Oblonski quer um cargo ligado à Companhia de trens, Ana vai ao encontro de Vronski em um trem... os voluntários, no final, vão para a guerra de trem. 

Por outro lado, a história também se firma sobre duas colunas, Ana e Liêvin que passam quase toda a história sem se conhecer, sendo que ambos buscam o amor e o prazer, embora tenham efetuado esta busca em direções diametralmente opostas.

Infelizmente, após páginas e páginas de descrições, detalhes, conversas, visitas, Tolstoi resolve terminar a história.  É, simplesmente resolve terminar, assim, e o final realmente é decepcionante, especialmente pelo grande drama envolvido. Faltava muito mais.

Parece que ele próprio teria interrompido a obra por mais de ano e que o final só veio após esse intervalo.  Talvez isso explique o final ser tão afastado do enredo, quase descolado dele. Li em algum lugar que o fim teria sido motivo de discussões com o editor do jornal, mas não sei se é verdade e se tal discussão produziu alguma modificação no texto.

Apesar da falta de desenvolvimento do final, com vários personagens meio deixados de lado, pode ser que Tolstoi tenha escolhido fazer assim propositalmente, já que centraliza o foco sobre a questão da busca existencial e espiritual de Liêvin, fazendo com que tudo o mais seja irrelevante, "Vaidade, nada mais que vaidade", para citar o autor de Eclesiastes.

Resumindo, depois de tantas idas e vindas na minha leitura, que durou tantos anos, eu confesso que esperava um pouco mais, mas ainda assim é um bom romance, bem escrito, cujos personagens, como já disse, ganharam vida, e não é à toa que virou um clássico. 


Muitas vezes acontece lutar um homem que dorme com um sofrimento de que desejaria libertar-se, verificando, ao acordar, que é no fundo dele próprio que o sofrimento reside. (5ª parte - cap. XIV)

[terminei em 20/04/2010]

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Ana Karênina - 2 (a conjuntura)

Ana Karênina
Leon Tolstoi (1877)
Editora Abril (749 pág.)

Continuando...

Ultrapassada a questão dos nomes, a segunda dificuldade do livro está nos longos painéis da cultura russa que Tolstoi apresenta.

Não que tais aspectos não sejam curiosos e até mesmo interessantes, já mostram bem que a revolução bolchevique/soviética foi conseqüência de mudanças e movimentos antigos que vinham em ebulição, com o contraste entre uma nobreza inativa, uma administração onerosa e trabalhadores paupérrimos,  mas o problema é a extensão das narrativas que, nos dias de hoje, para uma pessoa no Brasil, que nunca chegou perto da Rússia, tornam a leitura um tanto cansativa.
Há toda uma sessão que trata das eleições do "Marechal da Nobreza" que realmente... é longa.

Fora as discussões sobre questões de plantio, divisão e técnicas de trabalho ...

Tolstoi menciona, várias vezes, o fim da servidão na Rússia, decretada em 1861 pelo Czar Alexandre II que ainda estava vivo e no poder quando foi escrito o romance.

Também ressalta a divisão (e uma certa competição) entre as cidades de São Petersburgo, esta a capital na época, e Moscou.

Nas imagens, acima, o interior do Palácio do Czar, em São Petersburgo, justamente na época de Alexandre II e, à direita,  Moscou em quadro pintado em 1877 exatamente, por Vasily Polenov.

Ainda continua...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ana Karênina - 1 (os nomes)

Ana Karênina (ou Anna Karenina)

Leon Tolstoi (1875-1877)
Editora Abril (749 pág.)


Consegui! 
Este livro realmente era um desafio para mim, eu já o havia iniciado duas vezes sem chegar ao fim (a primeira, ainda nos tempos de colégio e a segunda, na faculdade), mas agora, na terceira tentativa: vitória!

O grande problema era o tamanho e, consequentemente, depois de algum tempo com a leitura parada, era impossível lembrar quem era quem, e se tornava necessário recomeçar tudo já que os nomes em Russo realmente tornam a coisa muito complicada e a tradução nem sempre ajuda.  Para se ter uma idéia, um dos personagens, nesta tradução que li agora, se chama Liévin e, na primeira, Levine...

Bom, os nomes russos indicam normalmente a família ou o pai, através dos sufixos "ov(a)", "ev(a)", "itch", "ovna" e "evna" e a gente vê o mesmo nome se repetir com diversas variantes...  Além disso, tem a questão dos apelidos, já que uma pessoa às vezes tem mais de um.

Aí o Tolstoi, a cada vez que menciona o personagem, usa um nome diferente (Oblonski, Stiva, Stiepan Arcadievitch - Dária, Dolly, Dacha, Dólinka - Catarina, Katienka, Kitty, Tchierbatskaia), sem que a gente saiba que todos se referem à mesma pessoa.

Como se não fosse suficiente, os dois homens ligados à Ana Karenina (marido e amante) se chamam Alieksiei... Tolstoi faz até piada com isso no meio do livro. (e ainda tem o príncipe, pai da Kitty, que também é Alieksiei)

Nesta terceira vez, para facilitar, especialmente no início, eu mantive dentro do livro uma folha de papel onde ia anotando os nomes, com suas variações.

Como eu odeio desperdiçar trabalho, se alguém se animar a ler este romance, pode usar a minha lista:

1 - Ana Arcádievna Karênina - personagem principal
2 - Alieksiei Aliesándrovitch Karênin - marido da Ana
3 - Sérgio Alieksiêivitch ou Sierioja ou Kútik - filho do casal

4 - Conde Alieksiei Kirílovitch Vronski - amante de Ana
5 - Condessa Vrônskaia - mãe do Vronski, viúva do Conde Kiril Ivanovitch Vronski
6 - Annya - filha de Ana com Vronski

7 - Catarina Tchierbátskaia ou Kitty ou Katienka  - jovem que no início se apaixona por Vronski

8 - Stiepan Arcadievitch Oblonski ou Stiva - irmão de Ana, o primeiro personagem que aparece no livro, bonachão que gasta todo o dinheiro com festas, jantares e amantes.
9 - Dária Alieksándrovna Oblonski ou Dolly ou Dacha ou Dólinka - mulher de Stiepan e irmã de Kitty
10 - Tatiana, Gricha, Macha e outros - filhos do casal

11 - Príncipe Alieksei Tchierbátski -  casado com a Princesa Tchierbatskaia com quem tem 3 filhas, Dolly, Kitty e Natália (casada com Arsiêni Lvov).

12 - Constantino Dmitrievitch Liêvin ou Kóstia - (alter ego do Tolstoi) - se casa com Kitty - homem ligado à terra, aos hábitos simples que, apesar disso, é amigo do Oblonski.
13 - Dmítri - filho de Liêvin e Kitty

14 - Sérgio Ivanovitch Kósnichev - irmão mais velho de Liêvin, escritor
15 - Nicolau Liêvin - irmão de Liêvin, tuberculoso e alcóolatra


Estes são os que mais aparecem, fora algumas centenas de outros nomes, cheios de consoantes, de personagens secundários, que também têm apelidos. (Agáfia Mikháilovna - governanta de Liêvin, Varvara Andrêievna ouVarienka - uma mulher, amiga de Kitty, Vássienka Vieslóvski - um homem, apesar do nome acabar com "a",  Lídia Ivánovna, Sviájski, Korniei, Tuchkiêvitch, Mikháilov, Serpukovskói, Pietrítski, Maria Nicoláievna...)

Até os animais têm nomes: Laska (cadela do Liêvin), Krak (cachorro do Oblonski), Fru-fru, Gladiador e Diana (cavalos) ... É de deixar qualquer um doido!

Continua...


[terminei em 20/04/2010]

terça-feira, 4 de maio de 2010

1001 livros (última parte - 2000)

1001 livros para ler antes de morrer

2000s
1. Never Let Me Go – Kazuo Ishiguro
2. Saturday – Ian McEwan
3. On Beauty – Zadie Smith
4. Slow Man – J.M. Coetzee
5. Adjunct: An Undigest – Peter Manson
6. The Sea – John Banville
7. The Red Queen – Margaret Drabble
8. The Plot Against America – Philip Roth
9. The Master – Colm Tóibín
10. Vanishing Point – David Markson
11. The Lambs of London – Peter Ackroyd
12. Dining on Stones – Iain Sinclair
13. Cloud Atlas – David Mitchell
14. Drop City – T. Coraghessan Boyle
15. The Colour – Rose Tremain
16. Thursbitch – Alan Garner
17. The Light of Day – Graham Swift
18. What I Loved – Siri Hustvedt
19. The Curious Incident of the Dog in the Night-Time – Mark Haddon
20. Islands – Dan Sleigh
21. Elizabeth Costello – J.M. Coetzee
22. London Orbital – Iain Sinclair
23. Family Matters – Rohinton Mistry
24. Fingersmith – Sarah Waters
25. The Double – José Saramago
26. Everything is Illuminated – Jonathan Safran Foer
27. Unless – Carol Shields
28. Kafka on the Shore – Haruki Murakami
29. The Story of Lucy Gault – William Trevor
30. That They May Face the Rising Sun – John McGahern
31. In the Forest – Edna O’Brien
32. Shroud – John Banville
33. Middlesex – Jeffrey Eugenides
34. Youth – J.M. Coetzee
35. Dead Air – Iain Banks
36. Nowhere Man – Aleksandar Hemon
37. The Book of Illusions – Paul Auster
38. Gabriel’s Gift – Hanif Kureishi
39. Austerlitz – W.G. Sebald
40. Platform – Michael Houellebecq
41. Schooling – Heather McGowan
42. Atonement – Ian McEwan
43. The Corrections – Jonathan Franzen
44. Don’t Move – Margaret Mazzantini
45. The Body Artist – Don DeLillo
46. Fury – Salman Rushdie
47. At Swim, Two Boys – Jamie O’Neill
48. Choke – Chuck Palahniuk
49. Life of Pi – Yann Martel
50. The Feast of the Goat – Mario Vargas Llosa
51. An Obedient Father – Akhil Sharma
52. The Devil and Miss Prym – Paulo Coelho
53. Spring Flowers, Spring Frost – Ismail Kadare
54. White Teeth – Zadie Smith
55. The Heart of Redness – Zakes Mda
56. Under the Skin – Michel Faber
57. Ignorance – Milan Kundera
58. Nineteen Seventy Seven – David Peace
59. Celestial Harmonies – Péter Esterházy
60. City of God – E.L. Doctorow
61. How the Dead Live – Will Self
62. The Human Stain – Philip Roth
63. The Blind Assassin – Margaret Atwood
64. After the Quake – Haruki Murakami
65. Small Remedies – Shashi Deshpande
66. Super-Cannes – J.G. Ballard
67. House of Leaves – Mark Z. Danielewski
68. Blonde – Joyce Carol Oates
69. Pastoralia – George Saunders

domingo, 2 de maio de 2010

Um livro por dia

Um livro por dia
Jeremy Mercer (2005)
trad. Alexandre Martins
Casa da Palavra (318 pág.)

Narrativa autobiográfica em que o autor nos conta sobre o período em que viveu em Paris, na livraria Shakespeare and Company.

O nome em português não foi bem escolhido, embora seja tirado do livro, porque sugere que a narrativa vá se prender aos livros em si e à transformação de uma vida pela leitura... (bem, foi isso que o título sugeriu, a mim).

George Whitman, o dono da livraria parisiense, especializada em livros em inglês (ainda vivo, com cerca de 98 anos), tem princípios comunistas e costuma receber jovens escritores dentro da livraria, em camas colocadas entre as prateleiras, sem que estes paguem pela acolhida.  Como regra, ele impõe, somente que os hóspedes leiam um livro por dia, o que o autor do livro afirma que ninguém cumpre, nem ele mesmo.   No entanto, os jovens acabam ajudando nas tarefas da livraria, criando uma espécie de confraria e esse clima é que influenciou a vida do narrador, motivo porque o nome original, Time was soft there (O tempo era suave ali), reflete muito melhor o conteúdo do livro.

O autor, Jeremy Mercer, é jornalista e, como todo bom profissional dessa área, tem o dom de escrever de forma objetiva e, ao mesmo tempo, de interessar o leitor, que só larga o livro quando não há mais nada a ler.

 Mas isso, embora traga momentos de leitura agradável, não faz do livro uma obra memorável.  Não chego a recomendar.


P.S.: Coincidentemente, na época em que estava lendo o livro, vi o filme "Julie & Julia" e, sem mais nem menos, ... olha lá a livraria!  Como também leio várias coisas ao mesmo tempo, olha a livraria de novo no "Du plus loin de l'oubli" em que o personagem principal vende livros, inclusive para a "Shakespeare & Co"...  Não é nada, não é nada... mas achei engraçadinhas as coincidências.


[terminei em 06/04/2010]